Oi oi

agosto 8, 2014

dafadkjfakl

Dias de mãe

abril 2, 2010

Relato de parto feito, eu e Olívia nos mudamos para o Twitter (sacumé, mais moderno e compatível com o tempo que temos disponível):

http://twitter.com/diasdemae

(breve) Relato do parto

abril 2, 2010

Na quarta, 24 de março, fui com minha mãe fazer mais um US e cardiotoco. Passamos quase a manhã inteira na clínica porque estava difícil ver e medir todas as coisas do US e a Olívia decidiu dormir durante boa parte do exame. Ela estava enorme, ocupando cada pedacinho do meu útero, e o líquido amniótico chegou bem perto do limite mínimo.

Ligamos pro marido, que estava na aula de mestrado, e combinamos de almoçar num indiano vegetariano perto de casa. Não sei se a história dos três ‘hot’ – hot sex, hot food e hot bath – é verdade, mas algo me diz que todo aquele curry deve ter ajudado. Às 18h30  eu senti a primeira contração dolorida. Sentei na beirada da cama e chamei marido para dizer que parecia diferente. Enquanto isso, minha mãe preparava o jantar (comida mineira vegan), pois iríamos receber um amigo. Falamos com ela e ficamos de olho, mas nada aconteceu. Uma hora depois, às 19h30, veio outra contração bem dolorida. Segundo marido e minha mãe, eu estava vermelha feito um pimentão. Mas ainda não queria acreditar que era trabalho de parto, fiquei pedindo para eles não se empolgarem muito, porque vai que era alarme falso, uma cólica intestinal ou algo do tipo…

Não lembrei de contar quanto tempo duravam as contrações, marquei apenas os intervalos entre elas. Às 20h30 tive mais uma, mesma dor, e nada do amigo chegar para jantar. Ligamos para ele, que estava no mercado perto de casa comprando as bebidas. Quando chegou, às 21h, tive nova contração. A dor parecia aumentar e eu ficava vermelha, roxa, contorcia, não sabia o que fazer. Tentei comer, mas não deu, rolava um ânsia. Parei na terceira garfada. O engraçado é que virei a atração do jantar: quando vinha uma contração, todo mundo parava de comer e ficava me olhando. Minha mãe decidiu tomar um banho, já antecipando a ida para o hospital. Tive que interrompê-la (aqui em casa só temos um banheiro) porque me deu uma baita dor de barriga. E as contrações vindo a cada 10, 7, 5 minutos… Saí do banheiro e deitei na cama na mesma posição que costumava ficar quando tinha cólicas menstruais fortes, fazendo uma respiração curtinha, depois uma longa, mas nada adiantou. Marido começou a arrumar a mala dele. O amigo disse que nos levaria (ainda bem! imagina ter que pegar um táxi com aquela dor?). Minha mãe ficou segurando a minha mão (acho que massacrei a dela). Por volta de umas 22h eu não aguentei mais e mandei ligar para a GO porque queria ir pro hospital. Marido ligou e descreveu a situação, ela pediu para falar comigo (mas teve que esperar o intervalo de uma contração), concluiu que eu finalmente tinha entrado em TP e que podia ir pra maternidade.

Daí pra frente, não sei bem o que aconteceu. Calcei sapatos, desci a escada, entrei no carro do amigo com o marido e minha mãe e fiz aquele que pareceu ser o trajeto mais longo da minha vida. Nunca amaldiçoei tanto o Kassab pelas ruas esburacadas de São Paulo. Sei lá quantas contrações tive no carro, só sei que agarrava a porta e a mão da minha mãe e olhava para o marido pelo retrovisor. Lembro também de ter xingado um casal que atravessou a rua lentamente na nossa frente, atrapalhando o trânsito.

Chegamos na maternidade por volta de 22h30. Eu estava com muitas contrações, uma perto da outra (que se dane o intervalo!) e com muita dor. A enfermeira-chefe ligou para a minha GO, que já estava a caminho. Não sei como fui parar no pré-parto, como tiraram minha roupa e fizeram tudo que fizeram. Só sei que esmigalhei mãos alheias (marido, mãe e enfermeiras se revezavam nesta dura tarefa) e quando perguntaram se eu queria anestesia, disse um SIIIIIIIIIIM com tanta ênfase quanto aquele povo da brincadeira do programa do Sílvio Santos (você quer trocar uma caixa de fósforo por uma casa na praia? SIIIIIIIIIIIIIM). Mandaram vir o plantonista, pois não daria tempo do anestesista da equipe da minha GO chegar. ‘Cadê ele?’ ‘Calma, tá vindo, está aqui no hospital, em outro andar’ ‘Mas por que ele não chega nunca?’ ‘Calma, já vem’ ‘Oi, cadê o anestesista, cadê?’. Quando ele chegou, ainda tive que ter a paciência de ouvir tudo sobre o procedimento entre uma contração e outra (acho que nessa hora eu estava abraçada, apertando meu rosto contra o de alguém bochecha com bochecha; achei que era marido, mas só depois vi que era a enfermeira-chefe…), assinar qualquer coisa, e ainda ficar imóvel numa posição que não ajudava em nada a dor. Ao mesmo tempo que as contrações pareciam durar uma eternidade, eu tinha a impressão que só tinham passado 15 minutos desde que deitei na minha cama me contorcendo de dor em casa. Tomei um susto quando peguntaram se ela ia ser do dia 24 ou do dia 25! ‘Como assim, já é quase meia-noite???’.

Não lembro quando a GO chegou, não lembro quando marido voltou pra sala vestido todo de azul como no ‘Plantão Médico’, não lembro direito o que aconteceu. Sei que vomitei 3 vezes antes da anestesia, de dor, e durante uma delas a bolsa se rompeu. E aí era um tal de perguntar pro anestesista: ‘Mas não vai fazer efeito?’ ‘Calma, demora uns 20 minutos ainda’ ‘Mas moço, ainda tá doendo’ ‘Eu sei, mais umas 3 ou 4 contrações e faz efeito’ ‘Mas não dá para tomar mais?’. E não é que a anestesia fez efeito e a dor ficou administrável? Eu sorria e declarava amor eterno ao anestesista, que segurava minha mão. Chamei ele de salvador da pátria, entre outras coisas bregas. Tudo ainda doía, mas pelo menos dava para pensar e enxergar alguma coisa na minha frente. Comecei a fazer a respiração e a força de expulsão ainda no pré-parto, até a cabeça dela aparecer e não voltar mais, ficando presa na saída do canal vaginal. Então fomos para a sala de parto. Um pouco antes, chegou o assistente da minha GO. Quando viu pai e mãe tatuados, brincou se não queríamos fazer o parto no jardim ou na banheira… E eu, que queria tanto tentar o parto normal no Labor Delivery Room, e ainda sem anestesia, pensei: ‘Quem diabos vai ficar olhando luzinha colorida no teto da sala numa hora dessas?’.

Na sala de parto, tudo foi mais fácil. Eu estava no mundo maravilhoso da morfina e não achei tão difícil fazer a força da expulsão. Fiquei um pouco desesperada porque marido teve que esperar eles me prepararem para entrar e mandaram eu continuar fazendo força. Deu medo dela nascer e ele não estar lá… Mas ele entrou a tempo, com filmadora na mão, registrou tudo (desde o pré-parto) e ainda cortou o cordão umbilical. Bastou minha GO ameaçar que talvez tivesse que fazer o corte da episiotomia para eu fazer a maior força do mundo (na filmagem, meu pescoço incha tanto que parece que o nenet vai sair dali) e a Olívia nascer, à 0h11 do dia 25 de março. Chorei de emoção, de felicidade, de tudo. Queria muito saber se estava tudo bem. Ela recebeu um Apgar baixo no primeiro minuto (nota 6), mas tirou total no quinto minuto de vida (nota 10). Colocaram ela em cima de mim chorando e eu não sabia o que dizer. Falei qualquer coisa, e não é que ela parou? Depois a levaram para pesar (marido foi junto) e terminaram de me costurar (não foi preciso cortar, mas a passagem da Olívia deixou um buraco de seis pontos).

Voltei para o pré-parto (que aí virou pós?) e fiquei esperando ela vir, com uma touquinha cor-de-rosa na cabeça (cortesia da maternidade). Não lembro direito, mas acho que já amamentei aí… Então ela foi para o berçário tomar banho e ser preparada e eu fui para o quarto.

Nos dois primeiros dias após o nascimento eu estava abobalhada, anestesiada de hormônios, morfina e felicidade. Nos dois dias seguintes, bateu o baby blues e eu chorava por qualquer coisinha. Hoje estou mais tranquila, aprendendo a maternidade enquanto ela aprende a ser filha, e mais equilibrada também.

Estou completamente apaixonada por ela. Amamentar é difícil, mas não impossível… E eu sei que ser mãe é a coisa mais difícil que eu já fiz na vida, mas também a mais bacana.

Olívia

março 29, 2010

Ela nasceu no dia 25 de março de 2010, à 0h11, com 49 cm e pesando 3,160 kg.

Um dia eu volto para contar mais…

Sonhando com a dor

março 24, 2010

Acho que nenhuma mulher nunca quis tanto curtir as dores de um trabalho de parto quanto eu.

Tenho até sonhado que estou tendo contrações doloridas durante a noite – e parece tão real que não sei mais se é sonho ou se já estou tão treinada nas Braxton-Hicks que, mesmo com dores, elas já não são suficientes para me despertar totalmente.