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15 semanas e contando

outubro 1, 2009

Parece que fiz o primeiro post há uma eternidade. Até me apressei em preparar este ‘resumão’ do primeiro trimestre, pois o tempo parecia voar! E só agora percebi que se passaram apenas 3 semanas. Mas como a ideia do resumão me pareceu boa, sigo em frente.

Vamos lá:

- Tentando engravidar – funciona assim: quando você é uma adolescente de 16 anos, dá início à vida sexual e responsavelmente decide visitar um ginecologista para saber se prevenir, o discurso é totalmente alarmista: “Pelamordedeus toma cuidado e não faça nunca sexo desprotegida porque gravidez é assim, pode rolar até quando se está menstruada, ejaculando fora, etc, etc, etc”. Aos 30, já amadurecida, em um relacionamento estável e com uma situação financeira confortável, o que se escuta do GO (nesta idade da paciente eles ganham a denominação de ginecologistas e obstetras) é exatamente o contrário: “Iiih, minha filha, relaxa, porque para casais saudáveis, mesmo fazendo tudo certinho, é normal demorar até um ano para conseguir engravidar”. Então tá, né. Eu relaxei, gozei, e BINGO! Conseguimos no primeiro mês.

- A idade ideal – nessa eu tô com minha médica e não abro: se fosse para levar em conta só a idade biológica, engravidaríamos aos 20 e poucos. Mas é preciso pensar também no psicológico, no financeiro, no profissional. Para quem quer ter até dois filhos, o ideal portanto é começar por volta dos 32. Certinha como sou, 2 meses após completar 31 bati na porta do consultório dela (afinal, eu achava que poderia demorar até 1 ano).

- Pré-natal – como eu tenho TOC e tudo na minha vida é planejado, o meu começou bem antes, já com consultas a um nutrólogo especializado em vegans (sou totalmente vegetariana) que me fez tirar dezenas de tubinhos de sangue e engolir centenas de comprimidos e gotinhas durante quase 2 anos, mas me deixou em ordem. Quando fui à ginecologista para dizer que queria começar a tentar, já estava com todas as vitaminas, proteínas, gorduras e minerais do organismo balanceados. E ainda assim ela já mandou eu começar a tomar a vitamina para grávidas, chamada Materna. Ainda bem, porque engravidei logo no primeiro mês. Além disso, estava praticando yoga já há quase 6 meses (parei o kung fu pensando no projeto maternidade) e corrida, que troquei por caminhadas (depois, por complicações, tive que parar tudo, mas está na agenda voltar a praticar na semana que vem). E sigo fazendo o acompanhamento com o nutrólogo, que já começa a me preparar para amamentar…

- O teste – eu fiz primeiro o de farmácia, enquanto estava de férias na praia. Eram só 3 dias de atraso e marcou positivo tão logo a urina passou pela casinha do sinal +. Cinco dias depois, de volta a São Paulo, fiz o BetaHCg por conta própria: deu mais de 10 mil. Marquei a GO para o dia seguinte e ela achou a taxa tão alta que suspeitou de gêmeos (o que não se confirmou depois). Na mesma semana, começaram os enjoos. Na época, aliás, eles eram um tormento horroroso e parecia que a gravidez se resumiria somente a passar mal. Jurei que nunca mais passaria por isso na vida (minha mãe mandou escrever, assinar e registrar em cartório, porque toda mulher diz isso mas acaba se esquecendo depois). Agora que já passaram, nem lembrei de criar um tópico só para eles… Enjoo? Parece algo tão distante… Eu sofri mesmo com isso?

- Os ultrassons – o primeiro eu fiz para confirmar a gravidez e o número de embriões. Era para ser com seis semanas, mas uma semana antes, numa sexta-feira, eu acordei me sentindo tão bem (não existe isso no primeiro trimestre de gravidez) que pensei que algo deveria estar errado. Liguei para a médica alarmada e ela mandou adiantar o US (acostumem-se, grávida é pior do que grandes corporações, refere-se a tudo por siglas) para me tranquilizar. Estavam lá o saco gestacional, o embrião único e – surpresa – um coração que já batia com 5 semanas e 5 dias! Na semana seguinte, fiquei super gripada, em pleno inverno polar paulista e no meio de uma epidemia de gripe suína. Fui para o hospital, fiz o teste e me mandaram tomar Tamiflu. Não se sabe os efeitos deste remédio na gestação – não há estudos – mas é uma questão de risco-benefício e, neste caso, o benefício ultrapassava o risco. Tomei as 4 primeiras doses, até sair o resultado do exame: negativo. Senti alívio por não ser H1N1, mas uma preocupação com as consequências da medicação que só vai passar quando o nenet nascer e eu tiver certeza que está tudo bem (ou seja, nada muito diferente de qualquer outra gestante).  Resultado: assim que passou a quarentena, mais um ultrassom para checar o estado das coisas. Tudo ok, embrião se desenvolvendo bem e coração batendo. De feijão ele se transformou em um camarão!

- Ultrassom morfológico de primeiro trimestre – este é considerado um marco na gestação. Feito por volta de 12 semanas, mede entre outras coisas a Translucência Nucal (TN), um importante marcador de anomalias cromossômicas como a Síndrome de Down. Nesta fase o embrião assume forma humana (deixa de se parecer com uma semente ou crustáceo) e passa a ser chamado de feto. Além disso, depois de 12 semanas o risco de aborto espontâneo cai drasticamente. Havia já 4 semanas que eu não espiava o nenet, e neste meio tempo tive um corrimento escuro, meio marrom (cor de sangue velho). Pedi para minha mãe ir comigo (ela estava em SP), assim como o marido. Não quis nem saber, precisei de colo mesmo! E o medo de não ouvir o coração do nenet bater? E o medo das medidas e observações não serem normais? Felizmente, estava tudo certo. Foi a partir daí que decidi contar para todo mundo (até então, restringi aos amigos e familiares mas próximos), inclusive no trabalho (só para os colegas do meu time; mas a chefia e o RH já sabiam desde o ultrassom que confirmou a gestação), mas neste caso um pouco depois. Pode ter sido psicológico, mas assim que liberei a notícia, minha barriga começou a despontar!

- Os sustos e surtos – o primeiro surto foi com a gripe suína. Depois de todo o estresse de ficar gripada, ir para o hospital, esperar o resultado do teste, tomar Tamiflu e não saber as consequências disso, fiquei paranóica. Paranoia em alguém que é um coquetel de hormônios é semelhante a um explosivo de nitroglicerina. Rodei a baiana com o RH da empresa, que não se manifestava sobre a gripe e as grávidas nem depois do comunicado da Secretaria de Saúde de SP orientando todos a tomar cuidados com as gestantes e com a epidemia. Briguei no nível local, nacional e internacional, e por fim liberaram as barrigudas para trabalhar de casa. Acho que fui uma das únicas que aderiu ao “working from home”, até porque faz parte da mentalidade das grandes corporações essa cultura de querer mostrar serviço e ser competitivo (não é o meu caso, não preciso disso para que saibam que sou uma excelente profissional). Fiquei 15 dias afastada e sem poder explicar por quê, pois ainda não tinha completado o primeiro trimestre e não queria que minha chefe contasse para o resto da equipe que eu estava grávida. Ficou todo mundo pensando que era gripe suína… O terceiro susto, depois da gripe-tamiflu e do corrimento escuro, foi um pequeno sangramento que me fez correr para o hospital, com 14 semanas. Tudo bem com o nenet, exceto por um cisto de plexo coroide que não tinha aparecido até entao. Bora baixar artigo científico em PDF na internet e pesquisar tudo sobre o assunto. O tal cisto pode (ou não) estar associado à trissomia do cromossoma 18, provocando uma síndrome muito mais grave que a de Down, chamada Edwards. Todos asseguram que nesta idade gestacional é comum aparecer este cisto e que isolado, sem outras ‘marcas de anomalias’, ele não significa nada. Normal para mim é ele não aparecer, oras! Mais uma coisa para me preocupar até o nenet nascer. E no fim o sangramento não era nada… Vale lembrar que cada susto leva a um surto: espirros + tosse = virar a noite lendo sobre gripe suína e grávidas; tamiflu = dias de quarentena lendo sobre pesquisas com o remédio e seus efeitos na gestação; corrimento marrom = 525 buscas no Google sobre aborto espontâneo; cisto de plexo coroide = pesquisa na internet equivalente a uma tese de mestrado sobre marcadores de síndromes em fetos e sinais de anomalias.

Bom, agora, com quase 16 semanas, estou só resfriada – e bem mais tranquila. Em cinco dias confirmo o sexo do nenet, aproveito para tirar minhas dúvidas sobre o cisto com o especialista em medicina fetal que me acompanha, e volto com mais novidades.


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